Dissertações e teses portuguesas sobre arquitetura e música

Ao fazer uma busca rápida na internet, me deparei com o blog Arquitectura e Música/ Música e Arquitectura, de Maria do Céu Aguiar da Mota.

Maria do Céu é portuguesa, licenciada em Ensino de Música pela Universidade de Aveiro e, assim como eu, ela fez um blog para tratar dos assuntos referentes a arquitetura e a música por conta de sua pesquisa de mestrado em História da Arte Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa.

Pelo que pude perceber, o blog deixou de ser atualizado em 2014, mas vale a pena conferir os posts que tem por lá. Encontrei algumas reflexões interessantes e tem também indicações de outros trabalhos acadêmicos sobre o tema, como os trabalhos de Clara Germana Gonçalves, Contributo para uma visão integrada: arquitectura e música em questão (1998) e de Lídia Tauleigne Roque, Arquitectura e Música, Uma Visão Estruturalista (2008), além da pesquisa da autora Maria do Céu, Arquitectura, Música e Acústica no Portugal Contemporâneo (2005).

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Architecture as a translation of music

Capa da publicação Pamphlet Architecture, nº16, Archtecture as a translation of music, 1994. (Fonte: foto da autora)
Capa da publicação Pamphlet Architecture, nº16, Archtecture as a translation of music, 1994. (Fonte: amazon.com)

A série de publicações Pamphlet Architecture foi iniciada em 1977 pelos arquitetos William Stout e Steven Holl como um veículo para apresentar críticas, questões e pontos de vista sobre arquitetura. O 16º volume desta série, editado por Elizabeth Martin e intitulado Architecture as a translation of music (1994), traz 9 projetos exemplares sob o ponto de vista arquitetônico e musical, já que foram escolhidos por trabalharem ao mesmo tempo com os olhos e com os ouvidos das pessoas, usando a contribuição das duas áreas para obter o resultado final.

Os projetos foram classificadas em três diferentes categorias: os projetos baseados na acústica, os projetos baseados na funcionalidade dos instrumentos musicais e os projetos onde ocorre a composição por relação de camadas. Todos os profissionais citados no livro exploram o fator arquitetura + música, rompendo qualquer barreira que possa existir entre essas duas áreas. Isso ocorre porque, conforme Martin descreve, a arquitetura é a mais universal e inclusiva de todas as habilidades humanas e aprender arquitetura é uma integração criativa do fazer e do saber, ao resolver os problemas envolvidos.

Enquanto nos projetos baseados pela acústica, o som e a reação que ele provoca nas pessoas é o ator principal e nos projetos baseados na funcionalidade dos instrumentos musicais é a manipulação do som e dos ambientes que interessa, nos projetos baseados pela composição em camadas a música é vista como partido, oportunidade e conceito.

Com relação a essa última categoria, temos projetos nos quais o arquiteto seleciona uma peça musical que posteriormente fará parte do processo de projeto. São arquitetos que se basearam em uma música para estabelecer principalmente vínculos e analogias formais entre a música e elementos arquitetônicos, geradas por análises diversas.

Referencia Bibliográfica: MARTIN, Elizabeth. Architecture as a translation of music. Pamphlet architecture 16. New York: Princeton Architectural Press, 1994.