DE ARCHITECTURA | MARCUS VITRUVIUS POLLIO

Ao escrever o tratado De Architectura (Século I a.C.), Vitruvius fala do valor da educação do arquiteto e da importância das proporções existentes em uma obra arquitetônica utilizando como referência os pitagóricos, ao tratar da relação música, arquitetura e harmonia. Para ele seria fundamental o arquiteto conhecer e dominar a matemática musical para poder empregar corretamente as razões em sua obra.

“A música, o arquiteto deveria compreendê-la de tal modo que detenha os conhecimentos teóricos canônicos e matemáticos, bem como ‘afinar’ balistas, catapultas e scorpiones no justo tom.” (VITRUVIUS, 1999, p. 8)

Ele recomendou também que se fizesse uma analogia entre o corpo humano e a harmonia perfeita de suas partes com um templo, para que este fosse bem construído, de maneira que o seu comprimento tivesse o dobro da sua largura. Ou seja, os edifícios deveriam estar de acordo com as proporções humanas e apresentar, portando, razões próximas da seção áurea. Por exemplo: Vitruvius pede que as proporções do vestíbulo (pronaos) e da câmara interna (cella) dos templos obedeçam a relação 3:4: 5, uma das razões presentes no corpo humano.
Leonardo da Vinci interpreta e ilustra essa questão da proporção humana ao criar o homem vitruviano: tendo o umbigo como centro de um círculo, a altura do homem é igual ao alcance de seus braços estendidos e essas medidas formam um quadrado que contém o corpo humano em sua totalidade.

Não só os templos estavam sujeitos às proporções, outras construções romanas também foram assim pensadas. A forma total do Arco do Triunfo de Constantino se aproxima de dois retângulos áureos, sendo que a metade da largura quando projetada sobre sua altura, marca o início da curvatura da abóbada e a base da arquitrave. A altura e a diferença do arco principal e a dos menores formam séries de relações áureas. O topo da cornija principal e a linha de início dos arcos menores coincidem com os lados de dois retângulos áureos ao lado de um quadrado e um semicírculo. (DOCZY, 1990).

O tratado de Vitruvius possui um total de dez livros. Nos cap. III e VIII, do Livro V, ele discursa ainda sobre a preocupação em relação ao comportamento sonoro nos espaços arquitetônicos, fazendo uma das primeiras referências escritas sobre o assunto, porém a tendência em associar arquitetura com música se enfraqueceu ao longo do período romano.
Apesar de serem unidos pelos mesmos parâmetros proporcionais, os estilos arquitetônicos grego e romano eram bem diferentes, onde o primeiro se volta mais para templos e teatros e o segundo, para estradas, aquedutos, arcos, termas, tudo executado com impressionante técnica de engenharia.

Proporções do templo segundo Vitruvius, comparada com as razões musicais. (Fonte: a partir de Doczi, 1991)
Proporções do templo segundo Vitruvius, comparada com as razões musicais. (Fonte: a partir de Doczi, 1991)
Proposta segundo Vitruvius comparada com um templo coríntio existente. (Fonte: a partir de Doczi, 1990)
Proposta segundo Vitruvius comparada com um templo coríntio existente. (Fonte: a partir de Doczi, 1990)
Arco do Triunfo de Constantino, Roma. (Fonte: a partir de Doczi, 1990)
Arco do Triunfo de Constantino, Roma. (Fonte: a partir de Doczi, 1990)