As analogias feitas entre música e arquitetura…

As analogias feitas entre música e arquitetura geraram um território de comparações com diferentes canais de interação ao longo da história: número, ritmo, notação e proporção. A transferência das idéias de uma arte para a outra pode ocorrer de diversas maneiras (…). A música tem sua materialidade na instrumentação e no som, a arquitetura o faz através do espaço e da luz.

Elizabeth Martin

Architecture as a translation of music

Capa da publicação Pamphlet Architecture, nº16, Archtecture as a translation of music, 1994. (Fonte: foto da autora)
Capa da publicação Pamphlet Architecture, nº16, Archtecture as a translation of music, 1994. (Fonte: amazon.com)

A série de publicações Pamphlet Architecture foi iniciada em 1977 pelos arquitetos William Stout e Steven Holl como um veículo para apresentar críticas, questões e pontos de vista sobre arquitetura. O 16º volume desta série, editado por Elizabeth Martin e intitulado Architecture as a translation of music (1994), traz 9 projetos exemplares sob o ponto de vista arquitetônico e musical, já que foram escolhidos por trabalharem ao mesmo tempo com os olhos e com os ouvidos das pessoas, usando a contribuição das duas áreas para obter o resultado final.

Os projetos foram classificadas em três diferentes categorias: os projetos baseados na acústica, os projetos baseados na funcionalidade dos instrumentos musicais e os projetos onde ocorre a composição por relação de camadas. Todos os profissionais citados no livro exploram o fator arquitetura + música, rompendo qualquer barreira que possa existir entre essas duas áreas. Isso ocorre porque, conforme Martin descreve, a arquitetura é a mais universal e inclusiva de todas as habilidades humanas e aprender arquitetura é uma integração criativa do fazer e do saber, ao resolver os problemas envolvidos.

Enquanto nos projetos baseados pela acústica, o som e a reação que ele provoca nas pessoas é o ator principal e nos projetos baseados na funcionalidade dos instrumentos musicais é a manipulação do som e dos ambientes que interessa, nos projetos baseados pela composição em camadas a música é vista como partido, oportunidade e conceito.

Com relação a essa última categoria, temos projetos nos quais o arquiteto seleciona uma peça musical que posteriormente fará parte do processo de projeto. São arquitetos que se basearam em uma música para estabelecer principalmente vínculos e analogias formais entre a música e elementos arquitetônicos, geradas por análises diversas.

Referencia Bibliográfica: MARTIN, Elizabeth. Architecture as a translation of music. Pamphlet architecture 16. New York: Princeton Architectural Press, 1994.