LE MODULOR | LE CORBUSIER

Arquitetos modernos utilizaram a geometria e algumas leis matemáticas em suas obras, como o arquiteto Frank Lloyd Wright (1867 – 1959) e seu refinamento geométrico, ou Le Corbusier (1887 – 1965), que elaborou uma teoria geométrica onde ele pode retomar um pouco dos princípios harmônicos pitagóricos tão utilizados por Alberti e Palladio no Renascimento.
Segundo Le Corbusier:

“Arquitetura é uma coisa de arte, um fenômeno das emoções, residindo fora das questões de construção e além delas. O propósito da construção é fazer as coisas se sustentarem, da arquitetura, de nos mover. As emoções arquitetônicas existem quando o trabalho soa entre nós em sintonia com um universo cujas leis nós obedecemos, reconhecemos e respeitamos. Quando certas harmonias tiverem sido alcançadas, o trabalho nos captura. Arquitetura é uma questão de harmonias… uma pura criação do espírito.” (LE CORBUSIER, 1953, p. 53)

Le Corbusier declarou o apreço pelas analogias musicais, bem como o interesse em ter o corpo humano como o gerador de escalas e razões para a arquitetura. Ele criou seu próprio sistema de proporções, que pretendia ser a síntese dos princípios modulares de composição se baseando no corpo humano, na seção áurea e na série Fibonacci e o batizou de Le Modulor. 
No desenho de Le Corbusier, um homem com 1,75m de altura é tido como padrão de escala. Os números e formas foram arranjados em sequências de proporcionalidade ao lado do desenho do corpo humano e, na realidade, não pertencem a seção áurea, apesar de haver uma aproximação. Le Corbusier não estava preocupado com a precisão absoluta das formas, porém a hélice ao lado do homem, se medida, contém os números 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34 e 55, os sete primeiros números da série Fibonacci, menos o 1. (LE CORBUSIER, 1953).

Sobre o Modulor Rabelo comenta:

“(…) a criação de formas artificiais baseadas em uma relação especial entre individualidade e similaridade, de modo que se evite a repetição e se busque a completude e a inovação teórica e prática, enfocando a mediação entre diferentes quantidades, qualidades, tipos e classes de elementos, o que possibilita a qualquer artista trabalhar em um movimento espiral infinito.” (RABELO, 2007, p. 50).

Esse sistema deveria ser usado tanto para as obras arquitetônicas que estavam reconstruindo o mundo pós Segunda Guerra Mundial, quanto para o projeto de uma cidade ou até mesmo de uma cadeira, aliado a padronização da produção industrial.

Podemos verificar na Villa Stein (França, 1926), os traçados regulares que compõem a fachada retangular, juntamente com a constatação das proporções do Modulor.

Segundo a estudiosa de arquitetura e compositora americana Sharon Kanach:

“Suas investigações arquitetônicas fizeram com que Le Corbusier reutilizasse de maneira consciente a seção áurea, o que proporcionou a ligação prática que faltava em todas as evidências resultantes da experiência secular do homem” (KANACH, 2009, p.38)

Kanach continua sua narrativa dizendo que as razões que levaram Le Corbusier a desenvolver o Modulor podem ser logicamente resumidas em seis linhas de pensamento:
1. Arquitetura é a ciência e a arte de construir volumes e superfícies que contém e regulam as atividades humanas.
2. Existe afinal uma regra espacial para reger a arquitetura?
3. O homem é o princípio e o fim da arquitetura, deve ser o centro de todas as pro-porções.
4. Uma arquitetura consciente se deve a seção áurea que o corpo humano contém.
5. Adoção de uma base numérica em referência a estatura média do homem. Módulo de 183 cm.
6. As medidas encontradas nas razões do corpo humano são usadas para dimensionar toda a arquitetura. No módulo definido de 183 cm, um homem com os braços levantados alcança 226 cm de altura, e esse valor forma uma segunda série áurea que duplica a primeira.

As observações e reflexões diárias da realidade arquitetônica levaram o arquiteto a desenvolver as duas séries de proporção que compõem seu sistema de medidas – série de 183 cm (cor vermelha) e série de 226 cm (cor azul). (KANACH, 2009)

O Modulor e o quadro de medidas das séries vermelha e azul, usado diariamente no atelier de Le Corbusier. (Fonte: Le Corbusier in: Kanach, 2009)
O Modulor e o quadro de medidas das séries vermelha e azul, usado diariamente no atelier de Le Corbusier.
(Fonte: Le Corbusier in: Kanach, 2009)
Villa Stein de Le Corbusier, 1926, Guarches, Paris. (Fonte: www.greatbuildings.com)
Villa Stein de Le Corbusier, 1926, Guarches, Paris. (Fonte: http://www.greatbuildings.com)
Os traçados reguladores da Villa Stein. (Fonte: Rabelo, 2007)
Os traçados reguladores da Villa Stein. (Fonte: Rabelo, 2007)

Publicado por

Agnes Del Comune

Architect, interested in arts and the creative process, along with music.

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