ARCHITETTURA CIVILE | GUARINO GUARINI

Ao final do Renascimento surgem alguns teóricos tratadistas (tanto músicos e compositores, quanto arquitetos), que questionam essa forma compositiva até então utilizada. Muitos chegaram a abandonar os modelos de progressão numérica, para adotar parâmetros de progressão geométrica. Sendo assim, a dimensão dos elementos arquitetônicos passou a ser determinada por construções geométricas e as relações entre música e arquitetura pelo intermédio da matemática ficaram enfraquecidas.

No barroco italiano, o arquiteto e matemático de Módena contemporâneo de Blondel, Guarino Guarini (1624-1683), é um dos primeiros a adotar a progressão geométrica como escala de seus projetos, dizendo que é o olhar do observador que deve julgar se a proporção de um edifício é ou não é harmoniosa. Ele escreveu vários livros de matemática e um tratado sobre arquitetura civil, o Architettura civile, onde propôs um sistema misto nas quais as dimensões dos elementos arquitetônicos são determinadas por construções geométricas básicas que não precisam seguir as razões harmônicas conhecidas. (WITTKOUER, 1971)

Dedicou-se principalmente a concepção de igrejas, como a Capela de Santa Sindone (1670), em Turim, onde favoreceu a verticalidade do espaço religioso e usou o ideal de representação do não finito nas plantas centralizadas ao invés de retangulares, como era o usual. A planta, apesar de circular, faz uma representação triangular da Santíssima Trindade, por meio da articulação de seus elementos.

Os princípios estruturais das composições musicais barrocas se tornaram muito mais complexos. Da mesma maneira, os espaços arquitetônicos são ornamentados de forma extra-vagante e ficam livres do rigor ortogonal, estando associados à polifonia dos hinos góticos. Nas obras de Francesco Borromini (1599 – 1667), como a Igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, 1665, Roma, podemos ver como isso acontece.

Mas a ruptura total com as leis da proporção harmônica na arquitetura teve início na Inglaterra, conforme explicado por Wittkower (1971). Segundo o historiador, teóricos e artistas do século XVIII viam a proporção com um caráter subjetivo, de sensibilidade individual, já que muitas vezes era percebida de formas diferentes, dado o ponto de vista do observador.
No século XIX, o conteúdo simbólico dos números e da geometria foi revisto e os sistemas proporcionais seriam usados somente como instrumentos técnicos.
A música do período ganha novas conotações, passando a ser vista como trilha sonora para a era industrial ou como indutora de sentimentos, onde as óperas de Wagner ou Mahler, por exemplo, tinham temas utópicos, ou retratavam um mundo áspero, de guerras e misérias.

Planta e corte em perspectiva da Capela de Santa Sindone, 1670, Turim, de Guarino Guarini. (Fonte: www.greatbuildings.com)
Planta e corte em perspectiva da Capela de Santa Sindone, 1670, Turim, de Guarino Guarini. (Fonte: http://www.greatbuildings.com)
Fachada e planta da Igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, Roma, 1665. De Francesco Borromini. (Fonte: www.greatbuildins.com)
Fachada e planta da Igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, Roma, 1665. De Francesco Borromini. (Fonte: http://www.greatbuildins.com)

Publicado por

Agnes Del Comune

Architect, interested in arts and the creative process, along with music.

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